Sociedade dos Poetas Tortos

Versos sacânicos

61 - Rouxinol do Cavalão, 01/03/2005 -"PRIMO POBRE E AZARADO"

Pra ver o tal de Boteco, 
não tendo computador, 
resolvi montar o meu 
e Rachimbau me ajudou. 

Remexendo o ferro-velho 
achei um som Gradiente, 
de alta fidelidade, 
pé palito, bem pra frente. 

Disquete? - um setenta e oito. 
HD? - um de de vinil. 
Gabinete? - Frigidaire 
calafetado a bombril. 

De uma Remington fiz teclado, 
(e ainda sobrou pra impressora), 
Monitor? - uma Telefunken 
da idade da Dod... quer dizer, do Letinha. 

Fui juntando um fio noutro 
(ficou igual a espaguete). 
Da Telemar puxei gato 
pra poder ter internet. 

Na hora de conectar, 
tudo conforme o esquema, 
um virus filho da puta 
contaminou meu sistema! 

60 - Mariana Souza Bessa, 01/01/2004 -"MEU LUGAR"

O vento no cabelo
Sentada na rede, lendo meu livro
Vendo tudo se movimentar
Em volta de mim
Sem barulho de carros
Pessoas andando com pressa
Sem a agitação da cidade
Apenas escutando
O vento batendo nas árvores
E as nuvens escuras
Chegando de tarde
Que enquanto cada gota
Cai sobre a terra
Uma lagrima escorre
Pelo meu rosto
Enquanto penso, penso
Em nada
Gostaria de estar lá agora...

59 - Ana Clara, 16/11/2003 -"MINHA VIDA" (em homenagem a Zumbi dos Palmares)

Ganho minha roupa uma vez por ano
Mas na verdade ele é um pano
Vejo a hora passar
Ocupado sem parar

O sol lá fora a brilhar
E eu aqui a trabalhar
Dia e noite noite e dia
Nessa vida vazia

Sou negro com muito orgulho
Vivendo sem liberdade
Nesse sonho eu mergulho
Em busca da felicidade

58 - Ana Clara, 22/09/2002 -"A VIDA"

A vida é a família
A família é a vida
Mas existem muitas famílias que não são a vida
E existem muitas vidas que não são famílias
Sabe porquê?
Eu também não!

57 - (Beija-flor da Cidade Jardim, 15/03/2001) -"Recreio"

Recreio é o que?
É recreio de aula?
Recreio é uma revista
Que não é de turista
Recreio é engraçado
Parecido com um telhado

Nessa revista tem um pato
Que é menor que um coelho
Eta coelhão!
Quase do tamanho daquele homenzarrão
Recreio é uma revista
Que vai ficar para sempre no meu coração

56 - (Periquita da Chapada, 17/05/2000) -"De volta para o futuro"

Não foi sem uma certa emoção
que ao ler a SPT
vi que minha reivindicação
já começa a florescer

Não que o nosso boteco
estivesse assim tão caquético
antipoético
antipático
ou antiestético,

Mas alguma coisa faltava:
Uma iniciativa, uma palavra
Pra resgatar sua essência
E recuperar um momento
de intensa
efervescência

Não se pode comparar
um mural com um boteco
Boteco tem quatro muros
tem portas e tem um teto

Resumir toda uma rede
em uma simples parede
Razão pros aficcionados
sentirem-se asfixiados

Rever o barman me alivia
Me alegra e me motiva
Espero que a maioria
Retome a locomotiva

Não percam o trem da alegria
Mantenham a página viva!

55 - (Rouxinol do Cavalão, 15/05/2000) -"Dois anos de Boteco"

Um início carismático
e um final velho e caquético.
Alquebrado e sorumbático,
ele ressurge antiestético
incolor e antipático,
o Boteco antes poético
virou um Mural apático
e um Chat meio apoplético.
Não que eu estivesse afim
pois até me dava dó.
A coisa ficando ruim,
já estando pra dar um nó.
E pra não ter que dar fim
na idéia boa que só,
tive que fazer assim
pro Boteco não ir pro pó.

54 - (Curió Baleado, 15/03/99) -"Biografia de um general japonês"

Foi numa tarde sombria
Na aldeia de Guanapu
Que nasceu um ser pequenino
Com o lindo nome de Ku

Aos nove anos de idade
Talentoso pra chuchu
Na escola já admiravam
A inteligência de Ku

Sendo logo aprovado
Na escola Militar
Vestindo um rico fardamento
O Ku começou a brilhar

Era um lindo fardamento
com lobilordo azul
Aproveitaram o momeno
e botaram um galão no Ku

O Ku ficou empolgado
Quase morre de prazer
E gritou pros seus soldados
"Preparados pra vencer"!

Quando pra guerra partia
Ele valente chorava
Não era de covardia
O Ku da mãe se lembrava

Uma batalha surgiu
Na aldeia de Kanfitu
Veio uma bala perdida
E arrancou o olho do Ku

Os soldados japoneses
Nessa hora derradeira
Vendo seu general morto
Cobriram o Ku com a bandeira


53 - (Periquita da Chapada, 17.12.98) - "Sonho de uma noite de verão"

O mar ia, Luiza
O mar ia e Vinha
A espuma Clara
A maré Lisa

Você chegou
com a brisa
calma
do mar de verão
Serena
Pequena
Quase cabia
na palma
da mão
O mar
ta
manha
a emoção
batia
tal qual o coração
de Clara
enquanto dormia
Falava no sono
Feliz não continha
palavras no sonho
Tão grande a alegria

No meio da noite
acordou
me beijou
sorriu
e de novo
deitou
e dormiu
Até parecia
que estava no céu
ou que esperava
a chegada
do Papai Noël
Maria Luíza
Ana Clara
eu me lembro:
uma noite rara
do mês de dezembro

52 - (Pomba do Grotão, 16.09.98)"A Entupidinha" (qualquer coincidência com a mini é mera...)

Na família dos entupidos
Há todo tipo de entupimento...
Dos mais nobres aos desvalidos
De metros de comprimento...
Alguns sem nenhum abalo.
De artéria, perna, coração...
E eu fui logo entupir o ralo...
Bem abaixo do sifão.


Obrar? Direis...ouvir estrelas...


Obrar é meu único objetivo.
O qual transformo em lenitivo.
Fezes a palavra que mais amo...
Merda, glória a ti, eu proclamo!

SPAraDORA...


Tô na casa da Dodora, beleza!
Do cunhado João, autêntico!
Dei até certa despesa...
Exceto de papel higiênico.
Tô na maior mordomia...
Longe do tanque e da pia...

51 - Periquita da Chapada, 12 sept 98

"Day-Tripa"

Lucinha, passamos o dia
Ligados na tua cirurgia
Pra que tudo corra bem
E que os anjos digam Amém

Vamos todos dar uma força
Espero que Deus nos ouça
Pra que alça se desfaça
E você volte mais moça

Então eu fiquei pensando
(Comendo meu sonho de valsa)
"Agora meu caro Orlando
vai ter (que) amá-la sem alça".


50 - Periquita da Chapada, 31 de agosto
"Hino ao intestino"

Ouviram de um certo cú às margens flácidas
Um peido heróico, grave, retumbante
Qual um sol da liberdade em raios fúlgidos
Tirou da crise, a gorda, num instante

Salve o lindo peidão da esperança
Salve o símbolo robusto da paz
Tu, gás nobre, pra quem enche a pança
O alívio das dores lhe traz

De repente, depois de um plasil
Vê-se contente a mãe gentil
Já obrou, oh liberdade
Desde anteontem, no bacio
(Já obrou, oh liberdade
Já obrou, oh liberdade
anteontem, no bacio)

Agora vai um ensino:
Cuide bem do intestino
Seja o grosso
Seja o fino

E a título de consolação
É melhor ter
Uma constripação
Do que ter
Que fazer
Das tripas, coração


49 - Pomba do Grotão - 29.08.98

"Tréplica da Tripa"

Tu que as tripas não entulhou
Nem de bençãos precisou...
Podes ter o prazer e o luxo...
De entupir de rango teu bucho,
De comer o que vem em mente,
Sem temer prisão de ventre!
Eu prefiro ainda ter...
O coração estraçalhado...
Que meu pobre almoço ver...
No traseiro encúrralado...
Mas se tomo purgante de fato
E de efeito imediato...
Posso no mesmo ato...
Ir para o vaso com o prato.

P.S.: Agora eu sou é porretisa,
adorei fazer porresia...
umas saem até porretas,
outras uma porcaria.


48 - (Pomba do Grotão, 28.08.98)

Constristepação

Para os que tem constipação
A benção de uma cagada
Vale mais que um milhão
De queijo com goiabada
Mais que café com pão
Ou uma lauta feijoada...
Pior que dor no coração
É ter a barriga inchada.
Obrar em profusão...
Passou a ser coisa sonhada...
E como este é o meu caso...
Largo tudo por um vaso!

Tradução juramentada:

Para os que tem bom apetite
A bênção é uma pratada
Sem pensar se depois tem
Sua tripa bloqueada
Só pensa em café com pão
Ou numa lauta feijoada...
Pior que dor no coração
É no bucho não ter nada...
Comer em profusão...
Passou a ser coisa sonhada...
Mesmo que entupa no ato...
Largo tudo por um prato!
             (Rouxinol do Cavalão, tradutor)

47 - (Pomba do Grotão (19.08.98)

"Está tiïsticando"
O boteco que era bar
Virou agora IBGE
Ficam só a contar
As piriquitas das muié
Contam os postos de saúde
Não tem Deus que nos acude...
Outros contam as cabeças
P`ra ver quem aparece mais
Não é que eu não mereça
Mas essa eu levo, rapaz...

Porém ando meio triste
Coisa que não existe...
Botar no boteco regras?
Isso é coisa que não pega
Mais fácil por no cú pregas...
Eu só sei falar besteiras...
A Marelisa leseiras...
O Gelry muito maluco...
Que escapou de ser eunuco
(Foi só p/ rimar minha gente,
mas vem de volta chumbo quente)
Fala só pornografias, cacofonia
Cacopedia, cacografia, cagônafia....
As vezes até dá uma sinfonia...
O Heyrton é pornografia disfarçada
Um pouco mais indecente
Se o cara não é inteligente
Acaba não entendendo nada
A Dodora tem umas tiradas
Cheias de sutileza ...
As vezes dá umas porradas
E todos acham uma beleza!
A Marta está esticando,
A família e a barriga,

Fica só estatiisticando
Nunca entra numa briga.
O restante quase não aparece
O que muito me entristece
Ia esquecendo da Clelinha
Esta nunca sai da linha,
Papo bem cultural
E de muito alto astral

Mas se não puder falar besteira
Nem ficar de pica dura...
Tirando toda a asneira...
Vai virar uma ditadura.
Eu faço então uma proposta:
Que feche logo esta bosta!

46 - (Pomba do Grotão (18.08.98)

Trovinhas "trans-parentes"
Fiz uma poesia cunhada
P`ra minha cunhada Rosilene
Como era de cunho indecente
Ao imprimir não deu nada
Ficou tudo transparente.

Como primo em fazer verso
Como o meu primo Cyrino
Mas é dificil... confesso
Às vezes até me urino.

Tentei fazer uma cançao
Para um tio do coraçao
Como não achei o tio do teclado
Ficou tudo esculhambado

Roubei versos, plagiei
Tal qual um "carcamano"
Porém sempre respeitei
As (p)rimas do meu mano...

Já pensou se eu fosse gaga
E para falar com a cunhada
Só cuncuncuncunhada sairia
E a concunhada de mim riria
E até por burra passaria

Mas como até tenho sorte
De ter o Orlando consorte
Com ele até que combino
Meu amásio e concumbino

Vou parar pois não achei rima
Para com-juge, má-drinha e prima
Pá-drinho, sogra, é muita gente!
Basta de versinho trans-parente !

45 - (Pomba do Grotão (16.08.98)

"As sumidas assumidas"
Gostei muito da idéia
Ficar nós duas papeando
Detesto mesmo platéia
Melhor que ficar só olhando
Mas, não é coisa de egoísta
Deixar fora tanto artista?
Que fique ao menos nosso irmão
Que tem muita inspiração
P`ra dar sua colaboração

Quanto ao bem-ti-vi do Palácio
Só piou e não entrou
Foi p`ras bandas do Estácio
E até me convidou
Mas p`ra lá eu não vou não
Eu gosto é daqui do Grotão,
Se fosse ao menos p`ro Leblon
Até que seria bom

Quanto a piriquita da Marta
É assunto que não se farta
Pensei, titubiei, mas não achei
Nome tão bonito, belo e raro
Mas p`ra que meter, é claro!
Se não fui eu que emprenhei!

Falando em boteco defunto
Me ausentei do dito cujo
Pois andava meio sujo
E nunca tinha presunto
Só tenho pena do Gerente
Que sempre foi boa gente
Nos tratou com paciência
E agora está na falência
Não por inadiplência
Mas devido a nossa ausência

44 - (Periquita da Chapada, 14 AGO)

"Re:ClaMor"
Seria uma coisa rara
Se sendo irmã de Ana Clara
Se desse a essa pequena
O nome Maria Morena

E como para a primeira
Alguns lhe chamam Clarinha
Macedo ou mais tarde a segunda
Iriam chamar Moreninha

E se tivesse uma terceira
Que fosse mais escurinha
Viria Moraes Moreira
Lhe chamar Preta Pretinha

Desculpe se eu te repito
Lucinha, por falta de assunto
É só pra ver se ressuscito
Esse boteco defunto

E se o Bem-te-vi do Palácio
Não se decidir logo não
Vai ver que será mais fácil
Ser Bem-te-vi do Grotão

Já que a galera sumiu
Podemos ficar nós duas
Numa espécie de desafio
E eles que fiquem nas suas

Agora vê se não some
Vou parar que estou com fome
Depois a gente se "meia"
Já de barriga cheia

43 - (Pomba do Grotão, 09/08/98)

"POETOPIA" Passou a ser uma mania
Ou quem sabe obsessão
Em querer fazer poesia,
Tais como as do meu irmão.
Ah! Será mais uma utopia...
Só p`ra não dizer frustração...
!

"ClaMor"

É um lindo nome Maria Luisa
Que toda a beleza sintetiza
Mas não seria mais serena
Se se chamasse Maria Morena ?

Já tem Ana Clara para clarear,
Que tal uma Morena para bronzear
E não querendo ser racista,
Arranjem uma escurinha
Para completar a lista...

42 - (Canarão, 25.07.98 )

"CYRINO EQUIVOCADO"
Meu caro e honroso Cyrino
Não gostei da brincadeira
Aniversário é coisa que muito primo
Não se deve falar besteira
Principalmente para o meu mano máster
Irmão que eu muito respeito
Homen de muito caráter
E meu amigo do peito

Portanto meu primo querido
Leva para você que gosta
O meu assunto preferido
Cu, piroca, merda e bosta!

41 - (Pomba do Grotão 25.07.98)

"É A NOSSA!"
Pomba não é de tirar sarro
Acha que é desnecessário.
Recorda-te do teu aniversário,
Não negues, pois não me amarro.
Aquela noite de 19 de julho,
Saudávamos-te com muito orgulho
Irmãos e filhos reunidos
Aparecestes todo convencido
Na tua casa, lá na cozinha,
Onde eu estava ao lado da Clelinha

Estavas com o copo na mão

Ainda sóbrio, meu irmão...

Não creio que estavas mentindo
Ou as minhas custas se divertindo...
Será que estavas na fossa?
Será que não foi tudo bossa?
Afirmo p`ra não ser grossa: P........ é a nossa!

40 - (Rouxinol do Cavalão, 23.07.98)

"PARNASIANO, EU?"
Porra, Pomba, tás querendo tirar sarro
Aqui do mano ou é falta de assunto:
Régua, compasso, esquadro, tudo junto,
Num jeito de poetar muito bizarro,
Andar medindo versos qual modista,
Sair com o "Aureliano" sempre ao lado,
Isso parece coisa de veado
Antes de ser a obra de um artista.
Não sei se é mais belo o verso que alinhavo
Ou aquela baboseira escrita pelo Olavo.

É que abomino o estilo retumbante

Ainda que a rima pra mim seja importante.

Tão diferentes quanto o sol e a lua
Um é o Olimpo e o outro a voz da rua.
Antes que eu esqueça: parnasiano é a tua!

39 - (Pomba do Grotão, 22.07.98)

"PAR ou IMPARnasiano"
Descobrí que o nosso mano,
é poeta parnasiano.
Da velha escola, aquela antiga...
Alguém pensou? Não há que diga...
Mas ele confessou, não é intriga.

Suas rimas alternadas,
ou mesmo aquelas casadas,
são todas milimetradas.
Usa fita métrica e compasso,
Escreve em papel almaço...
As vêzes utiliza régua...
Por isso ficam pai d`égua!
Transferidor, esquadro e borracha...
Mede os versinhos, não relaxa !...
(Tô começando a ficar macha!
Tento rimar e não "encaxa".)

Será poeta ou desenhista?
Seja o que for, é um grande artista.
Impar, sem par, parnasiano
Com certeza ou salvo engano...
deve andar com o Aureliano,
p`ra não entrar pelo cano...
nem sentir aquele baque
Seguidor de Olavo "Bilaque"

38 - (Rouxinol do Cavalão, 21.07.98)

"VERSO DE UMA RIMA SÓ"
01) Já que um protesto foi feito
02) e mesmo sem ter direito
03) de agir assim desse jeito,
04) respondo que tudo aceito,
05) que nada me diz respeito
06) e nada me é desrespeito.
07) Eu fico até contrafeito
08) pois não tenho preconceito
09) e acho tudo perfeito...
10) ... aceito... conceito... pleito...
11) ... defeito... rejeito... feito...
12) ... despeito... já chega... ufa...
13) Desisto, não tenho peito,
14) é muito grande a empreita:
15) Dezessete vezes "eito"
16) como fez Lúcia Respeita!

37 - (Pomba do Grotão, 19.07.98)

"CUNÍSSONO"
Protesto, protesto, não aceito!
Que meurmão querido do peito,
seja homenageado sem respeito,
deixando dúvidas do seu conceito...
Homem correto,digno de ser eleito,
pároco, edil ou até prefeito.
Poeta garboso, tem seu direito
Escritor charmoso e sem defeito

"Canto Uníssono", que perfeito!
Será que o deixou satisfeito?
Ou ficou mudo e sem jeito?
Para evitar algum pleito,
um verso destes deve ser refeito...
Nada de repibôrdeituiú, eu rejeito!
Só p`ra rimar com o sujeito?
Buraco cheio de preconceito...
Saída de pum, ar rarefeito...

36 - (Canarão, 19.07.98)

"PARABENS MANO VELHO
Quero que neste dia de alegria
As tristezas vão todas para o espaço.
E agora o que eu mais desejaria
Era dar-te um caloroso abraço.
Quero agora afirmar de coração
As palavras que todo mundo te diz.
Pois para mim tu és mais que um irmão
E desejo que sejas muito feliz.
E quando precisares de alguém
Não fique portanto desapontado.
Lebra-te sempre do "mano novo" que tens
E eu correrei para estar a teu lado.
Meu irmão de ontem, de hoje e de sempre,
Tu és mais valioso do que todos os bens.
E unindo-me a toda esta gente
Com emoção te dou meus parabéns!

35 - (Periquita da Chapada, 18.07.98)

"Canto Uníssono (für Heyrton)"
Aos dezenove de julho
do ano de trinta e sete
Zulita com muito orgulho
Pariu um lindo pivete

Não foi à beira do Sena
Mas em Sena Madureira
Que o Primeiro entrou em cena
Depois mais oito em fileira

A galera do boteco
Gente fina pra calharo
Entoa em um só eco
-"Um Feliz Aniversário!"

E um Happy Birthday to you
Só pra rimar com C.U.

34 - (Pomba do Grotão, 18.07.98)

"BÓSTUMAS"
Porra Lisa !
Lisa....porra!
Vou virar poetisa
Antes que algo me ocorra.

Que saco Dodora!
Dodora...que saco!
Serei compositora
Antes de ir p/buraco!

Cyrino, ora bolas!
Que bolas...ó Cyrino!
Comerei muitas acerolas,
P`ra melhorar o meu tino.
E rezarei feito carolas,
P`ra não cometer desatino.

Farei versos, será um desafio!
Acenderei meu último pavio...
Queimarei meu último cartucho,
Farei versos ou desembucho!

Serei sim, Poeta Torta...
Mesmo que depois de morta...
Levando a minha cultura...
Comigo p`ra sepultura...

Irei ao Pai de Santo,
Farei até macumba,
Meu verso será um espanto!
Vindo lá da catacumba...

Sentí até um caláfrio
Que não será um desáfio...
Pois não rima com epitáfio...

33 - (Rouxinol do Cavalão, 14.07.98)

"RIMA POBRE"
Há nomes e apelidos
que sugerem cada rima,
que é só bater nos ouvidos
que a dita vem logo em cima.

É o caso do Carvalho,
como também do Lacerda,
pro primeiro dá... baralho
e pro outro só sai merda.
Porém o mais conhecido
dentre todos é a Raimunda,
já vem com verso corrido:
"Ruim de cara, boa de bunda"!

Mas, levando sua vidinha,
o Gugu tava na dele.
Foi só chegar a Rolinha
e arruma uma rima pra ele.

32 - (Rolinha do São Bento, 12.07.98)

ORAÇÃO NO BOTECO

Boteco é lugar de beber, sonhar
E jogar conversa fora.
Sorrir, chorar, cantar
E, dependendo da hora,
Até mesmo de orar.

Vamos todos as mãos dar
Numa corrente positiva
P'ra Virgem Maria ajudar
Na cura do "Patativa".
E ao boteco alegrar
Com sua voz firme e altiva
LESANDO NO AVIÃO

Que vício horroroso este agora
Parece que estou pirando
De rimar a toda hora
Até mesmo viajando

De outro jeito não consigo
Só em pensar já vira rima
E concluo cá comigo
É leseira nordestina

Verso bobo, verso besta
Mas não sai da minha mente
De sábado, domingo à sexta
Vai brotando de repente

Vou pensar em coisas sérias
Meus irmãos e primos, lamento
Carece de umas boas férias
A "Rolinha de São Bento".


PY, digo PS:

Hoje em Manaus ao chegar
Depois de ver o Gugu
Vou ao catálogo procurar
Cyrino com a letra Y

Gostei agora, confesso
Estou fazendo progresso
Não rimei Y com nada
Até parece piada

Bem que em lugar de Y
Deveria ser um U
E em vez de procurar CY
Eu procuraria CU
Para rimar com Gugu.

31 - (Rolinha do São Bento, 12.07.98)

"ILUSÃO REVOLTA"
Estava mesmo iludida
Pensando em democracia
Cheguei a ser convencida
E disto fazer melodia
Mas fiquei braba ao saber
Que a "Chuva Vermelha"ao nascer
Já havia sido tramada
Por um grupo da pesada

Seu barman, que furo humilhante!
Cutucaram minha ferida
Passe antes que eu me levante
Um gole de qualquer bebida
Quero encher a cara logo
E propor neste instante,
Ouça-me bem eu lhe rogo
Sou a fregueza mais constante:

Todo o assunto a tratar
P'ra ser claro e transparente
Tem que no boteco passar
Mesmo sendo de parente
Sem correio particular
P'ra evitar derrepente
Uma chacrinha virar
E da decisão ausente
O resto da turma ficar.
Como saber o seu Barman, a Periquitalisa
Ou até mesmo o bruxo Zeca
Que com o restante da cambada
Iria cair a peteca?
(Ou sair muita disparada?)

Dá-me uma caneca de vinho
P'ra animar bem na medida
E pedir-lhe um cantinho
Para "Pedaços da Vida"
Se eu tiver aprovação
Peço licença também
Do meu álbum de recordação
Tirar as palavras de alguém
Que mora no meu coração
Sem dúvida, uma amizade perene
O seu nome é R...
Se não advinhar não faz mal
Ela é filha do C...

30 - (Sabiá do Parque, 12.07.98)

O SILÊNCIO DO PATATIVA
Prezada Rolinha aflita
acalme o seu canto saudoso
que fala, pede e grita,
pela volta da longa escrita
do nosso poeta garboso

Não culpe o pobre Rouxinol
pelo silêncio do "Pata"
pois o que lhe aconteceu
foi coisa pra lá de chata
o "Pata" não emudeceu
foi pra "Sampa" de repente
e pra surpresa da gente
foi fazer operação
de uma puta catarata
Poeta de boa pena
tão menino, quem diria,
apenas aos trinta e oito
com aqueles olhos afoitos
herdou da sua mãe Helena
tão precoce cirurgia

Mas no frigir dos ovos,
como dizia mãe Lenoca,
tudo haverá de dar certo
pros índios dessa maloca,
pois o "Pata" de olhos novos
vendo de longe e de perto
sabendo do errado e do certo
vai virar uma pororoca
Por isso vou avisando
pra pequena Rola-prima
do jeito que vem enxergando
quando o "Pata" retornar
tranque o cu que lá vem rima.

29 - (Rolinha do São Bento, 11.07.98)

"VOLTA PATATIVA !"
Meu Deus, o que aconteceu
Com a "Patativa do Mindu"?
O seu canto emudeu,
Ou será que isto é lundu?

Tá vendo "Rouxinol" perverso
O que tu foste aprontar?
Gozando do tamanho do seu verso
Só lhe fizeste calar.
Liga não Patativinha
Volta ao seu canto mavioso
Que tristinha está a Vinha
E o Juninho, ansioso.

Estamos todos com saudade
Do seu versar inteligente
Rogamos por nossa amizade
Volta p'ra junto da gente!

28 - (Pomba do Grotão, 09.07.98)

Clélia Elisa, Clelinha, Clélia,
Que bela rosa ou bromélia ?
Flor rara, resiste ao vento e a brisa...
Como a forte Clélia Elisa.

Na distante Curitiba,
Sem necas de pitibiriba...
Nascia em 9 de julho...
Para todos muito orgulho...
Parabéns por este dia...
É o que deseja sua tia.

P.S.: Será que estou evoluindo?
        Ou de mim estão todos rindo?
        Acho que estou melhorando...
        Por isto nem estou ligando...

Beijos Lady Lú

27 - (Periquita da Chapada, 07.07.98)

Lúcia, Lúcia!
Quanta astúcia!
Se te chamasses Raimunda
te chamariam Mundica
Bem vês que em questões de rima
a bunda não prejudica

Muito pelo contrário
"L'imitações", por exemplo
mais vale ficar num templo
que aqui neste "bestiário"

Medíocre é o "carálio"!

Não te autosubestimes
O importante é que rimes
O interessante é que rimos
Irmãs, irmãos, sobrinhos e primos.

26 - (Rolinha do São Bento, 06.07.98)

APÓS A CHUVA

Que pena! Cheguei atrasada.
Encontrei somente, no chão da estrada,
uma poça bem viva, cor de carmim
e na vegetação, gotículas reluzindo,
parecendo pingentes de rubi sorrindo
a bailar para mim.
Ahhhh! Que cheiro de mato molhado,
a "CHUVA VERMELHA" havia passado...


25 - (Rolinha do São Bento, 06.07.98)

MOSTRA A POMBA
Mostra Pomba do Grotão
A tua sabedoria!
É com participação
Que se faz democracia
Não precisa perfeição
Nem muita filosofia
Fiquei toda animadinha
Com a tua aparição
Pensou aqui a Rolinha:
Pior que a Pomba, sou não.
Falei só com os meus botões
Porém já mudei de idéia
Depois de "L'Imitações"
Vi que foi lance de estréia
Que passou esta impressão.

24 - (Pomba do Grotão, 05.07.98)

"L`imitações"
Passei dois dias tentando,
Fazer poesia, em vão!
Só dá mesmo copiando,
Do meu letrado irmão.

Meus pobres e tristes versos
Só rimam com perversos
Tentei, então a poesia...
Deu falsidade e hipocrisia.
E as pobres das minhas rimas
Se inspiravam em minhas primas.

Mudei de pau p`ra cacete,
P`ra ver se dava um falsete...
Tentei então belas trovas...
E rimou com Mario Covas.
Continuei tentando, tentando...
E só me vinham Fernandos, Fernando.
Troquei o verso pela prosa...
E né que deu João Barbosa.
Cheguei a fundir a cachola...
Que é p`ra não dar e deu Brizola.
Quase conseguí... (ulá, lá) por um triz...
Até que enfim, deu (Lula) Luiz.
É, medíocre meus versos, mas não me manco...
Que é para não dar Moreira Franco.
Achei uma bela palavra, impublicável,
Que iria dar rima com o indesejável J. Barbalho...
Carta já fora do baralho

Chega de politicagem,
Vamos p`ra sacanagem...
Quanto aos cús com e sem acento,
Eu já nem tenho argumento...
Tema que ninguém mais aguenta,
E é problema de quem senta.
Já a minha abúnda, é acentuada...
No duplo sentido, a coitada...
Se é sem acento na Língua Portuguesa...
Será com assento na sua grandeza...com certeza!
Que me deu a própria natureza... que beleza!!!
(digo, tristeza!!!)

(Esta é a minha segunda tentativa frustrada...
... me ajuda Patativa da Chapada... )

23 - (Rolinha do São Bento, 05.07.98)

FILOSOFANDO NO BURACO
Todo o pensamento expresso
Neste pequeno espaço
Alguns fazendo sucesso
Outros bancando palhaço
Cada qual com o seu valor
Dá lugar à reflexão
Do mais puro bom humor
À mera observação.
Apenas p'ra exemplificar
A Rolinha vai arriscar:
Na rua, na cama, na vida
"Cair no buraco errado"
É um fora sem medida
Se não sair, tá ferrado,
Será a grande perdida!

22 - (Sabiá do Parque, 04.07.98)

A POMBA, A ROLINHA E A PERIQUITA
Saiba, Rolinha invocada,
que foi fácil a conclusão
a que cheguei de tacada
sobre o secreto botão,
aquele que te dá sangria
e o qual desconhece o João.

Olha o que vou te falar,
não usei a bruxaria
nem fui um bom detetive
pois a ciência que tive
tá no chavão popular
que agora te digo bem franco:
cagando como rolinha
que caga de ano a ano
não há cu de peruano
que aguente imune esse tranco.

Portanto, te afirma o Cyrino
com a maior convicção:
cu que caga em desatino
não pode ter outro destino
que não seja um bom botão.

Agora peço licença
a Rolinha de São Bento
pra aproveitar o momento
e de uma só tacada
responder ao desafio
da Periquita da Chapada:
ATENÇÃO Ó MACHARADA:
Ela vem logo de cara
chamando a gente de coxo
não sei se é de maldade
ou se é só pra rimar com roxo
talvez seja uma crítica
a nossa sociedade
e se for é uma verdade
pois é coisa esquisita
uma sociedade poética
que não tem uma periquita
mas só tem um probleminha
na verdade um problemão
tem duas mulheres poetas
que pedem associação
é a Rolionha de São Bento
e a Pomba do Grotão
e aí como é que fica
se todas as duas poetas
tem apelido de pica ?

Mas se não tem outro jeito
o desafio tá aceito
porque macho que é macho
tá pro que der e vier
e não se entrega a ninguém.
Quem a visa amigo é:
passarinho que come pedra
sabe bem o cu que tem

21 - (Canarão, 02.07.98)

PAULARELAS

Duas linhas pauralelas,
nós seguimos pela vida
cada qual no seu caminho,
lado a lado,
porém sós.
Sempre canarinho do caralhão... e canarão do caralhinho
Desejei ( ah! desejei )
Nossa chegada ao infinito
onde ao menos na ilusão,
canarão do caralhinho... canarinho do caralhão...
seríamos CARALHINHOZÃO!

20 - (Pomba do Grotão, 02/06/98)

"Olá irmãos e primos: todos sacana
Sou Lucinha, a puritana
Mulher séria e decente
Que ontem quebrou 3 dente
Chupando um pedaço de cana."

(ai que coisa horrível esta minha primeira tentativa...)

P.S. Onde é plural, foi singular
Não levem a mal, foi p/rimar

19 - (Rolinha do São Bento, 01/06/98)

Cyrino, "talentoso" Cyrino
Poeta porreta eu diria
Mas advinhar do cu dos outros
é obra de bruxaria
Como descobriste o botão
Se nem mesmo disto sabia
O inocente João?
A Rolinha tá invocada
E te chama pra porrada
P'rum desafio de salão
Certamente bem apoiada
Pela "Periquita da Chapada"
E a "Pomba do Grotão".

Mas agora é que foi ver
O assunto tá atrasado
De cu já passou p'ra merda
Cocô, Caralho, Finado
A Rolinha se cagando
Fica com o bico calado.

18 - (Periquita da Chapada, 01/06/98)

Amigos daquilo roxo
Entrei para questionar
A Sociedade dos Coxos

Pra não dizer que não falei de cu
Vim pra quebrar o tabu
E incentivar a Rolinha
Para dar uma passada
(logo esteja descansada)
Neste clube do Bolinha

Vão gostar de cu na China
Por isso e que nesta sala
Não costuma entrar menina

Pra não ficar pau a pau
Nessa disputa esquisita
Não seria nada mal
Que para o alívio geral
Se incluisse uma periquita

Cheguei, meti minha colher
Pra mostrar que a mulher
(mesmo com fama de lerda)
Também sabe falar merda!

17 - (Sabiá do Parque, 29.06.98) - Ao Jerry:

PROPAGANDA ENGANOSA

Canarinho do Caralhão
é propaganda enganosa
é a mais pura pretensão
de quem tá fazendo prosa

imaginem um canarinho
que é um frágil passarinho
com um enorme caralhão
isso é uma grande mentira
coisa que a física não explica
é verdade virtual
pois quem tem pau
ou quem tem pica
saca logo a enganação
pois canarinho com um caralhão
não decola nem do chão
portanto deixe de prosa
e fique lá no seu cantinho
pois seu nome de poeta
sem propaganda enganosa
é CANARÃO DE CARALHINHO

16 - (Rouxinol do Cavalão, 29/06/98)

O PARDAL, O CAVALO E O GATINHO
O inverno veio forte, antes da hora
as asas não aguentavam, o que fazer agora ?
Perdido do bando e sozinho no mundo ?
O pardalzinho então viu um telhado,
pelo menos morreria abrigado,
mas ao pousar notou ser um lugar imundo.

Entrou e descobriu que era uma estrebaria,
e apenas saltitando (voar já não podia),
tremendo de frio e pressentindo a morte,
procurou um canto e lá ficou encolhido
tiritando gélido o corpo abatido,
resolveu entregar-se à própria sorte.

Nisso um cavalo, sem ver o coitado,
virou sem querer a bunda pro seu lado
e deu-lhe um banho de merda sem pudor.
Suprema humilhação pensou o pobre,
antes o frio que a bosta que o cobre,
e que morrer afogado no cocô.
De repente sentiu-se reviver:
A merda morna fez o sangue correr,
afastando o frio que quase o matou.
Sentindo a vida voltar devagarinho,
fez o que faria qualquer passarinho,
abriu o bico e feliz, cantou !

Mas não tinha acabado o seu azar
Pois um gato ouvindo o seu cantar,
aproximou-se ficando cara a a cara
com o nosso pássaro, que agora apavorado
tentou voar mas qual, estava grudado
na mesma bosta que antes o salvara.

Sem ter como escapar o nosso passarinho,
Sentiu o gato lambê-lo com carinho,
e assim, pena por pena, da merda o livrou.
Depois dessa tarefa, que surpresa,
mas fazer o que, se é da natureza
de todos os felinos: nhoc... o devorou!
          Moral da história 1: Uma cagada sempre termina em merda.
          Moral da história 2: Nem sempre quem o tira da merda é seu amigo.
          Moral da história 3: Quem está na merda não canta.


15 - (Geraldo, 28.06.98)

Deslize de CUltura

Quando o Públio começou
Versando sobre casamento e seleção
Eu fiquei na minha,
Nessa eu não entro não!

Mas quando a Rolinha de São Bento
Começou a versar
Neste momento
comecei a me animar

Por um deslize de CUltura
Do Cyrino que é um talento!
O Heyrton foi achar
Logo um cu com acento!

Teve até intervenção
De Juiz e Promotor
Para dar um veredito
De um buraco de cocô

O Heyrton pediu trégua
O Cyrino acatou
Eu também entro na merda
Pra melhorar o fedor

Portanto meus caros
Parem de falar besteira
Cú com acento ou sem acento é cu
Na atual língua brasileira
( Canarinho do Caralhão )


14 - (Sabiá do Parque - 26/6/98)

ELAS POR ELAS
Não entendi a proposta
que me fez o Cavalão,
trocar o cu pela bosta
não parece solução
(é coisa que não se explica)
é como cagar no calção
e limpar o cu com canjica
Mas seja lá como for
eu topo a troca do tema
e pra manter o poema
vou fazer uma rima rica
cantando em verso o cocô
Me aguarda, eu volto em breve
assim que acabar nossa greve
pois greve de professor
é coisa que muito intriga
é como dor de barriga
que anuncia o cocô

13 - (Rouxinol do Cavalão, 24/06/98)

Caramba, meu promotor,
fiquei rouco só de ler !
Não sabia que o Doutor
fosse tanto de escrever,
foi do juiz ao cantor
sem parar nem pra beber !

Chorou por alguns defuntos,
botou Zagallo no meio,
misturou tantos assuntos,
que a conclusão do que leio:
com Dunga e Esmeraldo juntos
a seleção canta feio.
Mas nada contra o estilo
limpo, claro, bem fluente
e mais massudo que aquilo
que o mano manda prá gente.
Se eu vender seu verso a quilo
fico rico de repente !

P.S.:  De manhã lí o primeiro
          e terminei com o sol posto.
          Depois leio o derradeiro
          mas acabo antes de agosto.
          Escrever verso em milheiro,
          ao que parece é seu gosto.

12 - (Patativa do Mindu, 24/06/98)

Acompanhei o debate,
De nível qual, sem igual!
Discutindo se Cu tem acento,
De maneira fraternal;
Filósofo da educação
Acadêmico de direito,
E por isso eu encho o peito
De dizer que meu irmão.
É pra ele que eu rimo,
Bota no toco Cyrino.

Pensei assim no começo
Mas depois mudei de idéia;
E sem fazer prosopopéia
Acho que houve tropeço,
E muito descomunal,
Cyrino tá confundindo
Regra de ortografia
Com regra gramatical.
Por isso mudei lado,
Cavalão tá com razão,
Cu não é acentuado,
Nem mesmo lá no Japão.

Oxítona por natureza,
Monossílaba por formação,
Nem mesmo nos apelidos,
Cada um que uma beleza,
Haverá acentuação.
"toba", "briosco"," anel,"
nem um deles leva acento,
por isso, neste momento,
em mensagem de cordel,
numa atitude feliz,
e atento ao grande clamor,
atuo como Juiz,
mesmo sendo Promotor,
e prá acabar a querela,
para findar a peleja,
que já parecia perene,
apelo prá dona Stela
e também prá dona Lene,
que digam aos professores,
que no Boteco se constata,
que essa discussão traz odores,
e lembra exame de próstata,
e prá encerrar a discussão,
pois sei que nenhum se redime,
entregue, debatedores,
o Cu pro Ivam Meneguini,
Fazer um toque retal,
Perfeita fotografia,
É regra gramatical,
Ou regra de ortografia?

11 - (Patativa do Mindu, 24/06/98)

Não quero fazer intriga,
não é do meu tipo meandro,
Hoje não foi dia bom,
desde a morte do Leandro,
que mexeu com a emoção
de todo povo brasileiro.
e mais tarde a seleção,
que perdeu prá Noruega,
mas isso, não é previsão,
é fato que ninguém nega,
e eu acertei foi em cheio,
quem manda jogar pelo meio.
esquecendo que tem ponta,
ficou como barata tonta,
e o gol ninguém acertou.
É claro, o juiz roubou,
mas isso também não convence,
pois mais que a gente pense,
que o Brasil é o melhor,
a realidade vem mostrar,
é preciso se cuidar.
se quisermos ser campeões;
Marrocos, fez sua parte,
com a força de leões,
o Brasil, futebol arte,
com time de "sete anões",
deixou o Dunga abalado,
botou Denilson de lado,
revelando emoções,
de outro anão, o Zangado,
que se acha o mais correto,
saiu o gol de Bebeto.
que parecia apagado.
Isso é copa do mundo,
temos no banco Doriva,
e também o Edmundo,
que mesmo jogando mal
ainda assim é animal.
Leandro já foi pro céu,
deixou na terra Leonardo,
prá carregar essse fardo,
de alegrar multidão;
no campo, trabalho árduo,
de um outro Leonardo,
jogador da seleção,
um num céu,
outro nas terra,
o que cantava,
por ele vamos rezar,
que que na terra ficou,
esse não pode errar,
quando chutar para o gol.
Tem hora que não agüento,
ver em campo isolado,
a esperança de gol,
às vezes fico irritado,
de ver esse tal de Ronaldo,
que parece ter talento;
jogando um futebol lento,
parecendo estar pregado,
no tapetão do gramado.
Sei que algo está errado,
sinto isso no ar,
será que o mestre Zagallo,
não vai mesmo mudar?
Pode ser intuição,
pode ser que esteja errado,
mas sinto que a seleção.
pode mesmo amargar,
um terceiro lugar.
Isso não é praga não,
isso é pra ver se acontece,
mudança que eu possa ver,
a seleção canarinho.
levantar a taça na mão,
sei que esse povo merece,
um pouco mais de emoção,
um pouco mais de carinho.
Quem sabe, no nosso Boteco,
os poetas, ainda que tortos,
erguendo o copo na mão,
farão um brinde pros mortos,
Leandro, Gonzaguinha, Gonzagão,
Gonçalves, o Nelson cantor,
e num clima de emoção,
misturado com pouco de dor,
sentimento que não se iguala,
brindamos pro Taiguara,
e porque não prá Dedé ?
Tia nossa que se foi recente,
e ainda doí na gente,
essa perda, mesmo esperada;
Essa saudade é um fardo,
foi o Dantas, foi Helena,
também foi o Eduardo,
é triste falar em verso,
é triste narrar em prosa,
já se foi também Tia Rosa,
Esmeraldo e Conceição;
É triste falar em rima,
Mas...também a Ernestina;
Espero que meu cordel,
não narre tão logo a partida,
da minha tia Eliza,
nem do meu tio Manuel;
Que não toque tão logo os sinos
pra avisar os pequeninos,
Que é a vez da renovação;
Que são Pedro quer gente nova,
de uma outra geração,
trocando os tios pelos primos.
Toque - toque na madeira,
Eleva a prece prá S´Antana,
isso é tudo brincadeira,
Já perdemos Juliana,
e já chega por aqui.
Mudei a prosa e a rima.
porque fiquei abalado,
com esse triste resultado,
do jogo da seleção,
que jogou un tanto mal,
e teve um juiz lalau,
que ajudou a Noruega;
se a justiça é cega,
e quem sabe muda e surda,
aquela cena absurda,
contra a seleção canarinho,
desculpas peço, pessoal,
a crise existencial.
me pegou foi de surpresa;
me perdoem, com carinho.
pois já vou sentando à mesa;
e pedindo meu chopinho,
pois outro não tem igual,
e digo com muito gosto,
tragam meu tira - gosto,
no Boteco é mesmo assim,
nem a morte, nem derrota,
afasta o frequentador;
sai uma isca de aipim;
um pouco de calabresa,
já sentei à minha mesa,
por isso mando meu beijo,
garçom, um choppe e mais queijo.

10 - (Rouxinol do Cavalão, 23/06/98)

EU TE PROPONHO

Vou te propor, meu primo, um armistício
em nome da virtude e da decência.
Ficar louvando um fétido orifício
não fica bem pra nossa inteligência,
considerando ainda o nosso ofício
que é a busca do saber e da ciência.

Essa tertúlia anal já enoja e cansa
e acarreta do respeito a perda,
respeito esse nossa grande herança.
Para parar com essa conversa lerda
estou propondo uma drástica mudança:
De agora em diante só falar de merda !

09 - (Sabiá do Parque, 22/06/98)

BOTÃO DE ROUXINOL

Tirando de lado a gramática
essa coisa antipática
que limita a criação,
vou direto na temática
que me traz o Cavalão

Rouxinol de bom argumento
vem querer me convencer
que cu bom não tem acento
mas o alado Cavalão
sabe que falo do cu
da Rolinha de São Bento
e Rolinha que caga ao vento
caga por entretenimento
e aí que me perdôe
o Rouxinol do Cavalão
mas é CÚ acentado
porque é um CÚ já coitado
de hemorrróida de botão

08 - (Rouxinol do Cavalão, 21/06/98)

O ACENTO NO ASSENTO

Há mil tipos de cus, meu primo Zeca,
há cus ovais, há cus arredondadados,
um é mais cabeludo, outro é careca,
porém não existem cus acentuados.

Podem ser negros ou quase marrons,
podem ser lisos ou mais pregueados.
Podem soprar ou mesmo emitir sons,
porém não existem cus acentuados.

Para provar que não sou um pentelho,
olhe no Aurélio ou vá diante do espelho
e vire-se pra trás, estando nu.

A conclusão vem logo no momento:
Ainda que haja um cu em cada assento
não há, pelo que sei, nenhum acento em cu.

07 - (Sabiá do Parque, 20/06/98) A BATALHA DO BOTECO

Sinto que chega a hora
de uma guerra de titães
de infantes de ordem primeira
generais e capitães.

Guerreiros de alto escalão
iniciam a primeira batalha:
atira de cá dez palavras
a "Periquita da Chapada"
responde com sete frases
o "Rouxinol do Cavalão"
aponta neste momento
sua poesia cantada
a Rolinha de São Bento
e pensando estar cagada
passa a mão pelo cú
mas logo aliviada
percebe que aquela merda
foi tiro certo de rima
do Patativa do Mindú.

Aguardem a outra batalha
que logo virá com certeza
e enquanto dura o armistício
desce depressa Heyrton
e põe sobre esta mesa
uma cerveja gelada.

06 - (Sabiá do Parque - 20/6/98)

Que me desculpem os demais
mas Lucinha tem razão
de reclamar desses doutores
que vêm pra mesa de bar
pra só fazer correção
do escrito popular.
A Lucinha tem razão
de ficar a reclamar
da busca da perfeição
da linguagem popular
isso enche tanto o saco
que o deixa como um balão
pra quem tem a pele fina
pode até estourar o culhão
por isso eu vou dizer
que vou tomando as dores
de todos frequentadores
que aqui vem pra beber
quem quiser falar bonito
no texto ou no cabeçalho
que procure outro lugar
pra vomitar seu escrito
pode ser no Bar do Brito
ou na casa do Ramalho.

05 - (Dodora, 20/06/98)

"BROCHURA"

Por que, meu irmão?
Palavra em extinção,
COM PUTA (DOR) na cabeça
E o VIAGRA na mão?

ass) "Rolinha do São Bento"


04 - (Dodora, 20/06/98)

Derrepente, quem diria?
Tanto talento escondido
Que o boteco revelou.
Tá me dando uma agonia
Vai virar academia,
O copo? a caneta quebrou.
E por isso eu já me vou...

Razão quem tem é o Zeca
De chamar p'ra Biblioteca


03 - (Rouxinol do Cavalão, 19/06/98)

Cerveja, bom papo e queijo
e de repente o que vejo
neste país do desmando,
que escapa de um collorido
só pra cair, iludido,
nos braços de outro fernando:

(e na dúvida cruel a gente treme:
manda o FHC ou manda o ACM ?)

Sem terra, terreno ou lote
ou com a seca no cangote,
o sertanejo vai mal.
E o que fugiu pra cidade
ou vive de caridade
ou se torna um marginal.

Porém não é só isso o que se vê:
manda o ACM ou manda o FHC ?

Não se brinca com a saúde
Mas é triste e muito rude
ver macas no corredor.
Lá dentro a vida esvaíndo,
cá fora a vida fluíndo,
cada qual com sua dor.

Por isso e por aquilo a gente geme:
manda o FHC ou manda o ACM ?

Nossos pobres operários
sem emprego, sem salários,
feito um bando de fudidos
entregues ao Deus dará,
pra mais empregos gerar
lá nos Estados Unidos.

E a gente continua sem saber:
manda o ACM ou manda o FHC ?

Velho agora é vagabundo
e eu não me chamo Raimundo
nem sou rima ou solução.
Professor é vaidoso,
jornalista é mentiroso
e o resto, tudo é ladrão !

Enquanto isso aqui a gente teme:
manda o FHC ou manda o ACM ?

Mas antes tarde que nunca.
Pra sair dessa espelunca,
na eleição não esqueça
o jeitinho brasileiro:
engolir o engenheiro
e pôr Lula na cabeça.

- E quanto ao ACM e FHC ?
- É só mandar os dois pra PQP !

02 - (Patativa do Mindu, 18/06/98)

Num boteco, na calçada, ou num jardim,
falar de seleção brasileira,
não parece coisa ruím,
isso enquanto der certo
a tática do Zagalo,
senão, todo mundo, por certo,
a despeito de já sermos tetra,
tomaremos um chopp mais ralo
e com raiva da seleção, descontaremos unidos,
na hora da eleição,
pois sinto que pode crescer,
a chances do companheiro Lula,
e enquanto o FHC,
que quando peida, peida e pula,
prepara sua retirada
pela porta do fundo,
e não mo chamo Raimundo,
se um dia virar piada,
misturada com muita dor,
quem em pleno presidencialismo,
temos um Imperador
tirano, autoritário,
traidor dos professores,
mas como todo otário,
pensa que é vencedor,
vai sentir os horrores
de amargar a derrota
dessa sua vida imunda,
não sobrará xoxota,
nem pimba na sua bunda,
pra indicar que sua rota
será o exilio político
de um homem do paleolítico,
com idéia neo liberal.
Cadeia prá esses malandros,
Justiça, prá nosso povo,
prá todos um grande beijo
que não falte no Boteco
cerveja, bom papo e queijo.

01 - (Patativa do Mindu, 05/06/98)

Meu amigo Zé, Zé de baixo, Zé de riba,
de Manaus, Niterói ou Paraíba.
Zé Bessa, Zé Freire,
não importa o sobrenome,
o que importa nessa hora,
é a coragem desse homem;
sabedor que a economia
na porta de uma eleição,
roda mais que água na pia,
chupada pela tubulação,
ou como anatomia
do corpo de uma nação,
que não sabe onde é o rim,
e nem mesmo o coração,
só sabe que tá ruím,
gerando insatisfação.
Coragem não lhe faltou,
e isso é meritório,
garoto tu vais pro céu,
sem passar no purgatório!
Mas nem tudo é desgraça,
nem tudo é desespero,
a vida tem coisa boa,
é só jogar um tempero,
e uma costela do lado,
fazendo roçar pé com pé,
tem seu charme e e seu agrado,
vá fundo, meu primo Zé,
deixe fluir a emoção, ,
e fique muito tranquilo,
pois se na hora "daquilo"
lhe faltar o tesão,
não fique mais avechado
pois agora já existe
o viagra no mercado,
mas se assim já não der certo
se aveche com a situação,
por certo em Niterói
há de ter um "Ricardão",
relaxe, pode ser tensão,
estresse de muito trabalho,
e quando isso acontece,
veja na carta do baralho,
qual será a solução,
se for 10 de copas,
ou uma carta de ouro.
por certo vem logo um tesão,
com a força de um touro,
se for paus, tá maus lençóis,
reza para vir uma espada,
e que seja a realeza,
senão, tenha certeza,
você não está com nada.
Zé de baixo Zé de riba,
tudo isso é brincadeira
desejamos felicidade,
ao novo casal de nubentes,
e da minha distante cidade,
e nesse clima bem quente,
mandamos um beijo gostoso,
que também vai pro Vovô orgulhoso,
e prá mamãe corujona,
que sei que está é torcendo,
prá ser mãe nessa carona,
pois con certeza espera
que o Zé, seu filho macho
acerte o melaço no alvo
e lhe dê prá lamber o tacho,
porque o Heyrton já era
e vê a Lene como Santa,
perdeu o tesão do pau,
e passou para a garganta.
Que Deus te abenço, menino,
e juízo não lhe falte,
nós Bessa, entoamos um hino,
de alegria, e de esperança,
prá que com vocês tudo dê certo,
uma vida de bonança,
com seus pais estando perto,
dando swou de experência,
pois casamento, mais que arte,
também tem sua ciência,
é preciso humildade,
e também ter paciência,
isso vem com a idade,
mas se forma a consciência,
de um casal bem respeitoso,
da individualidade
segredo prá duração
de um casamento no tempo,
senão vem saturação,
desrespeito e desengano,
e a família, se perde,
como água pelo cano.
Parabéns, Beijos dos primos
Públio, Jerusa, Victor e Camila.