Capítulo XV
Marta Bessa
Minhas lembranças foram covardemente interrompidas por mais um peido de Dragon. Confesso que o efeito desses gases me deixam mais entorpecido do que todas as drogas que já experimentei na minha adolescência. Eles imobilizam qualquer ação, desfazem qualquer pensamento, apagam qualquer sonho que alguém possa ter.
Minha dor de cabeça - a única dor que ainda posso sentir - só pode ser conseqüência desses gases fétidos e das minhas viagens virtuais. Devo ter dormido horas a fio diante dessa tela, sonhando com o B e o T em movimento, para cima e para baixo, como os soldados ingleses. Não sei porque dormi com essa touquinha branca, não costumo dormi de touca desde que conheci Ivone. TALvez esteja sentindo sua falta...mas meu instinto de corno me diz que não devo esquentar o único membro que ainda me resta com essa puta, pois a essa hora ela deve estar fazendo um IN OUT com o motorista do Santana cinza. Melhor seria pensar na morena mineira que conheci na balsa para Manacapuru. Aquela sim, teria sido uma ótima esposa!
Naquele tempo, eu ainda me chamava José Luís e não fazia idéia de como seria a vida pós-internet. Morena Mineira era a mulher que minha falecida mãe Dolores-Claudia sempre sonhou ter como nora. Tímida, meiga e... linda! Não sei porque M&M me veio subitamente à memória, TALvez pelo fato dela ter sido a segunda maior paixão da minha vida e ser gostosa como confetes de chocolate. Seu beijo superou todas as expectativas desse corno que vos fala. Sua pele avermelhada contrastava com o negro do rio, deixando qualquer rubro-negro extasiado.
Alias, foi nessa época que surgiu minha paixão pelo futebol. Aquela lembrança RUBRO-NEGRA, NEGRA-RUBRA, martelou minha cabeça durante muitos e muitos anos. Morena-mineira-rubro-negra. Somente com a saída do baixinho para o Vasco, o encanto se desfez e resolvi mudar de time. Deixei então de ser apaixonado e tornei-me um "VICEado" em futebol.
Não terminei de contar meu caso com M&M. Fui a Manacapuru City assistir a um Festival de Música, mas só lembro mesmo dos beijos da Mineirinha. Eram doces como aqueles chocolates redondinhos , cobertos por uma casquinha colorida artificialmente, que estalam quando levados à boca . Eram tão intensos que me faziam ouvir sinos badalando, padres voando, luzes estreboscópicas, muitos feixes de luz, ora dourados, ora violetas, azuis, verdes, rubros.. Fecho os olhos e lembro daquela sensação, da época em que eu podia sentir arrepios, pois ainda estava completo. Mais parecia um show pirotécnico, lágrimas de Nossa Senhora, morteiros, cascatas, confetes adocicados. Era tão arrebatador que não posso compará-lo nem mesmo ao espetáculo de Copacabana nos fins de ano.
Minha memória insiste em apagar como esse romance terminou. TALvez porque não tenha tido um big end. Sei que M&M desapareceu em um desses feixes de luz, acompanhada de um baixinho safado que era vocalista de uma Banda que estava por lá. Segundo me disseram, eles pegaram um Ita no Norte e foram pro Rio morar.
Será que ela vai voltar?
Eu sou daqui
E ela de BH...
PASSA FORA DRAGON PEIDÃO!