Capítulo XVI
Rodrigo O. de Andrade Bessa
Finalmente João Luís volta ao mundo real, recuperado de suas alucinações .
Após alguns capítulos em coma numa cama de uma clínica psiquiátrica cercada de médicos todos vestidos de branco, João Luís tenta esclarecer sua cabeça e explicar a todos o que havia acontecido antes e durante esse período:
- Tudo começou quando descobri que Cláudia, minha última paixão, a qual todos chamam de Ivone, que na verdade é seu "nick name", estava me traindo com um parceiro (a) da rede. Isto para mim foi a gota d’água, pois tenho, desde de novo, um complexo de corno.
Aos 16 anos de idade conheci na praia de Itacoatiara uma encantadora morena mineira maneira. Seu corpo quente e leve pedia o meu, com um sorriso tímido eu pedia um beijo seu....seu beijo....Ah! seu beijo....superava todas as expectativas... Até que um dia um filho da puta de um baixinho de uma TAL banda aí fez uma musiquinha pra ela, e a filha da puta ficou apaixonada por ele, me deixando louco de saudade e com um chifre enorme no meio da testa.
Isso ficou marcado na minha vida, mas consegui superar o trauma numa viagem que estava fazendo para Manacapuru, valsando na dança da balsa sacudindo meu corpo em vão conquistando, assim, a dona mais bonita da balsa, era dona pra se beijar, e beijei. Estava de novo apaixonado!!! Aquela dona havia me tirado do sério. Estava igual pinto na merda, meu coração batia acelerado novamente. Estava no maior bem bom com a moça curtindo a viagem e a paisagem quando avisto lá no fundo da balsa um rapaz de traços acreanos vestindo uma camisa listrada com a barba tapando os contornos de sua boca tal como o bigode, mais tarde vim a descobrir que seu nome era Sérgio, Sérgio Souto. Ao seu lado...puta que pariu!!!! Era ele mesmo, o filho da puta do baixinho que havia roubado a morena mineira de mim!!! Os dois, ali sentados, o baixinho com o violão, e o barbudo com um pandeiro entoavam a seguinte canção: "Por isso agora vou pra Manacapuru/ no remanso da viola, quem tem pressa come cru/ vou bem faceiro navegando na canção/ na bagagem não guardo dinheiro só guardo o seu coração"
Pronto!!! Foi o suficiente para a dona que estava comigo se atirar nos braços do baixinho, tal como todas as outras donas da balsa. É lógico que o baixinho não deu conta de todas e deixou algumas para o seu companheiro de viagem, que depois vim descobrir que era o seu tio avô.
E mais um chifre nascia na minha cabeça, e o pior, do mesmo cara.
E o tempo foi apagando as tristezas e as mágoas da minha vida, até que um dia conheci Cláudia (Ivone), que de certa forma me fez esquecer um pouco as minhas decepções amorosas, eu estava louco por ela, mais do que pela morena mineira maneira, mais do que pela dona da balsa pra Manacapuru.
Cláudia era tudo pra mim, apesar de me trocar horas por conversas intermináveis nos chats da vida, o que, no final das contas, foi o grande motivo por ela ter me deixado sozinho, ou melhor com meu único e fiel parceiro, Dragon.
Dragon, sensibilizado com meu estado psíquico e moral tentava me consolar de todas as formas. Corria de um lado para o outro da casa, jogava a sua bolinha de meia para lá e para cá, roçava sua cabecinha nas minhas canelas, mas nada disso adiantava.
Foi então comecei a comprar umas paradas para me entorpecer, pra ficar doidão. Comprei todos os tipos de drogas: maconha, cocaína, heroína, cogumelos, crack.... Iria fazer um grande coquetel que me deixaria alucinado, e me faria esquecer das decepções que tive na vida com todas essas mulheres.
Estava me preparando para o feito, todos esses alucinógenos estavam guardados na minha dispensa esperando pela minha coragem.
Mas, no dia que resolvi fazer o coquetel, as drogas não estavam mais lá, e eu fiquei me perguntando onde elas poderiam estar. Não havia entrado mais ninguém naquela casa além de mim e o Dragon.....Dragon ....Draaaaagoooooonnnnn!!!!!
É isso mesmo que vocês estão imaginando. Dragon havia ingerido todo o meu estoque de drogas e estava correndo de um lado para o outro da casa numa velocidade alucinante, fazendo sexo com todas as cadeiras, mesas, sofás, tudo que tinha matéria ele dava umazinha. Além disso ainda peidava que nem um cão.
E aí que tudo começou. Foram seus peidos que começaram a me alucinar também. Fui ficando alegre, estabanado, doidão, me achando o cara mais poderoso do mundo, comecei a correr junto com Dragon, comendo as cadeiras, mesas e sofás, e o Dragon peidando, e eu comendo a geladeira, o fogão, e o Dragon peidando, a máquina de lavar roupas, o liquidificador, e o Dragon peidando, tudo que tinha um buraquinho eu comia, até que fui parar no buraquinho do Dragon......Oh!!! Pobre Dragon .... Meu único e fiel parceiro agora era um cão viado.....E foi depois de dar umazinha com Dragon que eu não me lembro de mais nada real e com lógica, só me lembro de coisas voando(voltem nos capítulos anteriores que vocês saberão do que estou falando).
Pois é! Entrei em transe total e vim parar aqui, nessa clínica psiquiátrica.
Ué!?!? Mas quem me trouxe pra cá?!? Só eu e Dragon estávamos naquela casa? Como pode?
E um dos médicos ao seu redor respondeu:
- Foram eles! - e apontou para porta do quarto onde estava uma mulher de seios fartos com a tatuagem C.V
juntamente com o baixinho filho da puta que lhe atazanava a vida.
João Luís olhou para os dois na porta e.......