Capítulo XIX

 

Emanuel Bessa V. de Mendonça (Emano)

 

- "Carpe Diem!" "Omnia vincit Amor!" "Aeternum Vale"!!!!!

- "Carpe Diem!" "Omnia vincit Amor!" "Aeternum Vale"!!!!!

- "Carpe Diem!" "Omnia vincit Amor!" "Aeternum Vale"!!!!!

 

Estas palavras não saíam de sua mente até que....

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- Sr. José Luiz! Sr. José Luiz, o Dr. Enrich está liberado, o senhor pode entrar!

Ainda meio que dormindo meio acordado, só percebe que está no consultório do seu Psiquiatra por causa daquela mulher robusta, de pernas visíveis e seios iluminados, característico da  Cláudia Vianna a recepcionista que já fora tempos atrás personagem de uma de suas fantasias.

 

Caminhando lentamente, com cuidado pra não derrubar um aquário vazio que ficava entre a recepção e a sala do médico, num corredor estreito, escuro e com alguns quadros coloridos focados com uma  pequena luz , o trazia de volta  a sua realidade.

 

Dr. Enrich era um médico experiente, diplomado pela Universidade de Massachussets e natural de Mossoró. Tinha um corpo franzino, cabeça grande , com  poucos cabelos que restavam , sentia orgulho de mantê-los bem grisalhos e sempre penteado. Tinha  um óculos dourado que só usava nas suas intervenções junto aos  pacientes.

 

-         Oi José Luiz, quanto tempo! Deite-se e vamos botar nossa conversa em dia.

-         É verdade Doutor, a vida tem me consumido muito...e blá, blá, blá,

 

Depois de muito falar o Drº interrompe:

 

-  O seu caso é claro: Assim como sua prima Belisa Martins, você também carrega uma doença hereditária. Utilizando corretamente a medicação não terá problemas. Agora, essa sua mania de insistir que todos te chamem de José Luiz já tá passando dos limites! Paul, o fato de você agora morar no Brasil não significa que você tenha que mudar de nome. E mais, depois que você saiu da clínica psiquiátrica falamos que essa atitude de várias personalidades deveriam ser combatidas por você e mais ninguém. Tá certo que as pessoas até então têm escrito a sua história, mas está na hora de buscar a sua própria vida, e fazer a sua própria história. Todos sofrem muito com isso, até a Cláudia, que você chamava de Ivone,  foi embora.

 

TRIMMMMMM! Termina a sessão.

- Paul Owl, essa necessidade de buscar aceitação das pessoas quase te matou, lembra daquela explosão?  Pense nisso, e falaremos na próxima Quinta!

 

Paulo Coruja queria se desvincular do seu passado, mas continuava muito presente na sua vida. Aquela  cristaleira de Jacarandá, o velho Del Rey, a foto que tirou com o Sérgio Souto e o baixinho da Banda Tal em uma de suas viagens à Amazônia, as roupas de sua amada,  o Dragon, sem falar que quando chovia  sempre vinha aquela imagem do pára-brisas do seu carro já embaçado se transformando em milhares de prismas... A única coisa que ainda parecia nova em sua vida era a assinatura quinzenal da Revista Chuva Vermelha. Era o lugar onde lia coisas insanas que o deixava com a sensação de ser um cara normal. Aliás, quando ele encontrava o Djeury ele tinha a mesma sensação.

 

Chegando em casa, procurou uma boa música pra meditar - músicas orientais - , acendeu uns incensos e foi tomar aquele banho com seus produtos aromáticos. Deitou-se na  banheira buscando uma posição confortável e relaxou!

No primeiro momento não conseguiu aquietar-se, lembrava da sua infância em país que parecia não lhe pertencer e a distância da sua terra natal. Adotara o Brasil como seu país, afinal de contas, Inglaterra, África do Sul , França, Canadá, Austrália, Grécia, Islândia e Paraguai nunca o recebera tão calorosamente como aqui.

 

Agora sim, silenciou, é como se estivesse num Templo Budista...não passava nada em sua mente...somente a sensação de paz, harmonia, como tivesse se deitado nas nuvens de algodão, o único som que ouvia era o de pequenas ondas de mar e alguns cantos de pássaros. Estava em total êxtase e começava a ouvir de dentro do seu coração algumas mensagens:

-"Paul Luis, não importa quem  você foi, o importante é quem você realmente quer se tornar. O passado não pode ser mudado, mas é no  presente que se constrói o futuro. E lembre-se, você não está sozinho".


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