Capítulo XX
Bianca
Paul relaxado
em sua cama, durante este instante precioso de lucidez, quando retorna de seu
psiquiatra,pois após remédios e injeções, enfim a terapia de choque que
vem fazendo desde que sofreu um acidente automobilístico, ligou a tv.
Pobre Paul, homem recatado,
inteligente, dedicado a tudo e a todos... não merecia este acidente. Mas, a
vida é isto mesmo... dia após dia, acontecimentos após acontecimentos... e para
que entendê-la, entendê-los? Como diz Clarice Lispector: “viver ultrapassa todo
entendimento”.
Este romance parece uma coisa de louco,
mas simplesmente ele traz ao leitor a verdadeira situação que sente nosso
protagonista: Paul está louco.
Homem admirável que num dia de
tempestade, daquelas que costumavam cair no mês de março, ao retornar do
trabalho, atropelou e matou uma mulher lindíssima. Infelizmente, uma das
mulheres do traficante-chefe do Comando Vermelho.
Independente de não ter tido culpa da
eventualidade, o traficante-chefe resolveu vingar a morte de sua amada, seqüestrando
Paul, ingerindo no mesmo uma mistura de drogas fatais, além de violentá-lo
fisicamente.
Alma santa e abençoada, entre a vida e
a morte, que já era um milagre, pois Paul deveria ter morrido, o mesmo foi
salvo, ficando em coma durante quase 2 anos de sua vida, estando em recuperação
desde agora, mas, as seqüelas alucinógenas ainda são uma constante em sua vida.
Enquanto relaxava e via televisão entra
em seu quarto sua governanta, Sra. Rosilene. Em verdade sua “anja” em forma de
governanta, como uma mãe. E lhe oferece uma sopa de entulhos:
- Paul meu querido, tome esta sopa que
caprichei especialmente para você, coloquei somente os legumes de sua
preferência, lhe fará muito bem. Como foi hoje no psiquiatra?
- Igual como das outras vezes, sabe
Rôzinha, estou ficando cansado desta terapia, nada muda, continuo tendo estas
alucinações absurdas... até com o liqüidificador eu já me vi transando, as
sensações daquele atropelamento ainda não me saem da cabeça... tantas coisas
confusas, parece que minha cabeça vai explodir...
Paul começa a derramar lágrimas,
inicialmente tímidas,até que se entrega aos braços de Rosilene, como uma
criança abandonada e desata a chorar. A governanta-mãe tenta acalmar Paul
e pede para que o mesmo tenha paciência, que continue a tomar seus remédios e
acreditar na sua cura, pois seu psiquiatra, Dr. Heyrton, é muito conceituado e
já curou casos tidos como incuráveis, como do Sr. Cyrino, Sra. Maria Elisa,
Gery, Lucinha, Céu, Basinho, Preta, Marta, Rodrigo, Emanuel...
Além do que, ele ainda tenta aconselhar
ACM, FHC... casos dado como perdidos, mas completamente diferente do caso de
Paul, era só uma questão de paciência e perseverança. Paul sentiu-se mais forte
depois das palavras e do carinho de Rosilene, tomou sua sopa, agradeceu a
governanta e seguiu a assistir a sua tv.
Durante o capítulo da novela,
especificamente durante a cena em que Guma, personagem vivido pelo encantado
Marcos Palmeira, um orgasmo múltiplo em forma de homem, em Porto dos Milagres,
novela exibida pela poderosa, quando o mesmo é salvo por Iemanjá, Paul emana
aquele grito feliz de quem descobriu a pólvora:
-
Rôziiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinhaaaaaaaaaaaaaaaaa...
Rosilene ingressa no quarto de Paul
assustada:- O que aconteceu, meu senhor?
Com a voz coberta de esperança,
questiona Paul:
- Rôzinha, você freqüenta um centro
espírita, e sua mãe é a mãe de santo do centro, não é?
- Sim meu senhor, mas por que esta
pergunta?
- Ora Rôzinha, se Iemanjá salvou a vida
de Guma, por que um santo lá do terreno de sua mãe não pode me curar???? Ligue Rôzinha, por favor, para sua mãezinha
e marque uma consulta para mim?
- Sim meu senhor, farei isto agora.
Rosilene se retirou do quarto e...