FINAL

 

Heyrton Bessa

 

... deu de cara com uma estranha e assustadora entidade: Aparentava uns sessenta ou mais anos, tinha cabelos brancos escorridos, olhos de um azul quase transparente, corpo ressequido, cuja cor e aspecto lembravam o de um cadáver conservado em formol. E sobre o corpo magro, nada mais que um sumário biquini e uma canga transparente.

 

- Sabe como é que é, prima, começou a entidade, eu tinha certeza que isso ia acontecer! Depois vão tentar me pegar. Olhe só, já mataram mamãe, meu marido, meu irmão mais velho e minha irmã.

 

Rosilene não entendeu nada, apenas arregalou os olhos e tentou falar alguma coisa mas não conseguiu. A entidade continuou:

 

- Faz parte do plano para acabar com nossa família. Deixa eu entrar pra ver o corpo do meu irmão ...

 

- Corpo? Irmão? Tá maluca?

 

- Vocês pensam que me enganam? Mas eu sou macaca velha e sei quem está por trás disso tudo! Mas eu sou prevenida e já comprei até meu caixão, financiado baratinho pela OAB. Está lá em casa, guardado debaixo da cama.

 

Ao ouvir falar em OAB ela reconheceu a tal velhota. E agora, como se livrar dela? Para tentar encerrar o papo, abriu um pouco mais a porta para que ela o visse e explicou:

 

- Não, menina, quem está aí é um tal de Paul. Parece que andou enchendo a cara e acabou tendo uns delírios. Agora está repousando.

 

- É meu irmão mesmo, tenho certeza! Esse pessoal é cheio de truques, prima! "Eles" deram alguma coisa para que ele ficasse assim tão diferente! Isso começou depois que a bruaca da mulher dele forçou ele virar crente. Ela foi contratada por "eles"!

 

- Espera aí, ele acabou de se mexer!

 

- É outro truque! Eu sei quem são "eles". Armam as jogadas e depois passam por santos.

 

Aí contou que "eles" mandaram a polícia internar seu filho lá no Jurujuba, que "eles" espalharam por aí que ela tinha tentado se suicidar quando estava no colégio, que "eles" venderam a geladeira da mãe dela e dividiram a grana, e blá, blá, blá, numa sucessão de fatos(?) desconexos, numa narrativa confusa, sem pé nem cabeça, em que o tempo ora fluía pra frente, ora pra trás.

 

Mas isso faz parte de outra história... De outra novela... De outro romance...

 

 

F I M


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