CAPÍTULO IV

José Geraldo Bessa

- Oh meu Deus!, o que será que está acontecendo!?... depois do contorno quando peguei a estrada de barro meu nome mudou pra João Luiz!. Essa história de quatro romanos e um inglês já está manjada pra caralho... e os pedaços de cabeças, braços, miolos e olhos caindo do céu... será o apocalipse?...não!... eu devia estar sonhando!... Ih! o João caiu do João Luis que antes era José! (exclamou Luiz).

Naquele momento Luiz não escutava mais o vuco-vuco do limpador de pára-brisa, nem gotas estroboscópicas caindo sobre o teto de seu carro, a chuva parou e o dia estava amanhecendo. Debruçado sobre o volante, Luiz levanta a cabeça e observa uma farpa de luz através do pára-brisa encoberto pela lama ainda úmida:

- Não acredito! é o sol! é sol!

Com um gesto rápido e bastante aliviado, Luiz sai do interior do Del Rey que estava totalmente descaracterizado, a cor não dava para identificar tal a quantidade de lama que envolvia o carro.

Com olhar cansado, Luiz ficou observando tudo que estava em sua volta, parecendo não saber onde estava. De repente fixa seu olhar sobre o veículo:

- O que é isto?!...não acredito!... puta merda!, acho que tô ficando maluco!... Ivone pelo amor de Deus me ajude! Luiz aproximou-se do veículo, e sobre o teto começou a bolinar com as mãos a sujeira que envolvia o carro:

- Meu Deus que horror! (murmurou). E saiu correndo sem rumo apavorado com que tinha visto, deixando seu Del Rey para trás até onde a vista não mais alcançava.

Exausto, com as pernas tremendo e suando frio, sentou-se em um tronco de árvore ä beira da estrada de barro com as mãos na cabeça e cotovelos sobre as pernas. Estava apavorado com o que tinha visto quando mexeu na lama do teto do carro: lama misturada com sangue, pedaços de vísceras e outros não identificados. O silêncio era tão intenso que só se escutava o atrito do vento com a vegetação rasteira. Um dado momento Luiz ouve um ruído de motor de carro. Levanta lentamente e olha em direção ä estrada:

- Será se alguém pegou meu carro?

O ruído está cada vez mais próximo, e Luiz observa um ponto cinza no horizonte da estrada crescendo em sua direção. Este ponto começa a tomar forma de automóvel:

- Será Ivone? ...não! ... é um Sant.. Cruz credo! .. é o homem do Santana cinza!

O Santana pára próximo a Luiz, que tenta identificar a(s) pessoa(s) no interior do veículo, fica impossibilitado, pois os vidros eram escuros (forrados com insulfilm).

O Santana se afasta lentamente e pára atrás de uma moita a uns quarenta metros, onde se ouvem barulhos de porta de carro se abrindo e fechando e vozes não decifráveis devido a distância. Luiz fica atento, olhando em direção a moita quando surge uma mulher de aproximadamente 1,70 metros de altura, trajando um short jeans, camisa social com mangas arregaçadas amarrada acima do umbigo, e botas de cana longa em couro cru; vindo em sua direção.

Luiz ficou pasmado sem saber o que fazer quando aquela mulher linda, maravilhosa e sensual, prostou-se em sua frente sem dar uma palavra. Luiz ficou correndo sua vista sobre aquele corpo perfeito de pele morena e curvas sinuosas, lábios carnudos e cabelos lisos aloirados. Quando olhou sob o decote da camisa, admirando o contorno dos seios, cujo bico pareciam apontar para a luz divina; viu uma tatuagem acima do peito esquerdo com as iniciais C.V e perguntou:

- Senhorita, como é seu nome?

- Cláudia

- Cláudia de quê?

- Cláudia Valadão


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