Saudações.
Em primeiro lugar quero me apresentar: Sou Alfredo de Holanda Filho, natural de Tabuleiro do Norte, CE, onde nasci em 1936 e vivi minha infância e adolescência até o início da década de 50.
Atendendo solicitação de minha filha Solange, sobre nossa família, especialmente meu pai e lembranças de Tabuleiro, vou dentro do possível prestar algumas informações que vou chamar de “fragmentos esparsos” parodiando Humberto de Campos em suas memórias.
Meu pai:
Alfredo de Holanda Cavalcante, natural de Limoeiro do Norte, CE, onde nasceu em 1886, era filho de João de Deus de Lima e Maria Cleobolina de Holanda Cavalcante, sendo seu avô materno o coronel João de Holanda Cavalcante.
Conforme dizia meu pai nossa família Holanda Cavalcante, em Limoeiro especificamente, e noutras localidades do vale do Jaguaribe é descendente do casal Manoel Ribeiro Bessa e Ana Holanda Cavalcante, vindos de Pernambuco por volta de de 1728 e estabelecendo-se no vale do Jaguaribe, numa propriedade rural comprada, onde hoje está Tabuleiro do Norte; inclusive ali faleceram e foram sepultados, por volta de 1870.
O mencionado casal, ainda conforme meu pai, foi por tanto a origem de todos os Holandas e Bessas do Vale do Jaguaribe.
Outros parentes de meu pai:
Francisco de Holanda Cavalcante (Chiquinho de Holanda) tio materno, proprietário por herança, da fazenda Castanhão, próximo as margens do rio Jaguaribe.
Primos legítimos:
José Holanda, Nenzinha Holanda e Bembem Holanda. ( Nenzinha e Benbem, moravam lá para as bandas de Alto Santo), José Holanda ficou no Castanhão.
Eram também parentes próximos de meu pai, Antonio Holanda, residente em Limoeiro, João Brasiliense, advogado em Limoeiro e dono de uma propriedade rural chamada Nova Holanda e Elisa Holanda, também residente em Limoeiro. Eram parentes também a família Castro, de Limoeiro, eis que Toninho de Castro era casado com uma prima de meu pai.
Resumo informativo sobre a vida de meu pai:
Infância e juventude viveu com o avô materno por quem foi criado.
Estudou em Limoeiro com professores particulares.
Trabalhou no comércio do avô estabelecido em frente à igreja matriz de Limoeiro.
Já aos quinze anos, sentindo uma vocação enorme para professor, começou a lecionar quando ainda estava estudando.
Após o falecimento do avô dedicou-se integralmente a atividade de mestre-escola conforme ele mesmo se intitulava.
Primeiro casamento.
Casou a primeira vez aos 18 anos ( sua primeira esposa chamava-se Carolina e era da família Luciano Rodrigues), teve 05 filhos do primeiro casamento, dos quais sobreviveram 04.
Estabeleceu uma escola particular, Escola Esperança, em Limoeiro onde lecionou durante muitos anos.
Após ter ficado viúvo do primeiro casamento foi almocreve (comerciante ambulante) durante algum tempo dentro da região do município de Limoeiro, que na época abrangia também Tabuleiro, São João e Alto Santo.
A atividade de almocreve não durou muito, devido a vocação de professor, voltou a dar aulas na sua escola, agora itinerante, ora aqui ora acolá, conforme as necessidades e conveniências.
Segundo casamento.
No início dos anos 20 formou uma segunda família com uma companheira de nome Mariquinha. Com ela teve 05 filhos, dos quais sobreviveram 03.
Da. Mariquinha era da família Torquato, cuja matriarca era Da. Maria Torquato.
Eram cunhados de meu pai, os irmãos Francisco , João e Raimundo Torquato.
Essa família Torquato, morava numa localidade chamada Embiratanha, lá para os lados do pé da serra. Essa união durou aproximadamente 13 anos.
Terceiro Casamento.
Após a separação da segunda esposa, instalou sua escola na localidade de Sítio do Rocha, onde lecionou para os filhos das famílias locais, principalmente da família Maia. Pedro Maia, Cassimiro Maia, os irmãos: Chagas e Nanim Maia, Patrício Daniel e outros.
Posteriormente mudou a escola para a localidade de Tapuio, onde conheceu minha mãe e com ela casou-se em 1935. Do terceiro casamento criaram-se 05 filhos, dos quais sou o primogênito.
No Tapuio a escola funcionava numa propriedade de Joca Daniel. Joca Daniel e sua esposa, Da.Mimosa, foram meus padrinhos de batismo.
Os filhos das famílias residentes no Tapuio na época, praticamente todos freqüentaram a escola de meu pai: os Daniéis, os Alexandres, os Lúcios os Moreiras e outros que não recordo.
Em 1940 a escola mudou para uma localidade entre o rio Córrego de areia e Limoeiro, numa propriedade dos Fidelis. (Chico Joaquim Fidelis e José Fidelis eram fazendeiros)
Anos mais tarde, já em 1944, a escola mudou para a localidade de Rancho de Nossa Senhora, na propriedade de João Menino. Ali foram alunos os filhos de João Menino: Lia, Joãozinho, Otávio, Oscar, Valdecí, Agapto e Valdenir. ( Agapto e Valdenir eram filhos adotivos de João Menino). Estudaram ali também os filhos de Avelino Maia e outros de famílias da comunidade.
No Rancho de Nossa Senhora moravam o Sr. Vicente Moreira e seus genros, João Menino e Avelino Rocha Maia.
No final de 1947 a escola mudou para a localidade de Saco do Barro, numa propriedade alugada as margens da lagoa do Saco do Barro na estrada que vai em direção a localidade de Gangorrinha, entre as propriedades do Srs. Chico Moreira (pai) e Acelino Rocha. Ali foram alunos os filhos das famílias locais, inclusive o filho mais novo e a filha mais nova do sr. Acelino Rocha.
Posteriormente a escola mudou para a localidade de Água Suja, bem próximo a cidade de Tabuleiro, numa propriedade do Sr. Antônio Pinto. Ali também estudaram os filhos do Sr. Antonio Pinto: Eurico, Valdemar e outros que não recordo o nome, e também seus sobrinhos, filhos do Sr. José Pinto.
Em 1950 a escola mudou para a localidade de Várzea Grande, depois de Gangorrinha e antes de Sítio do Rocha, numa propriedade do Sr. Tertuliano (Terto de Aninha). Ali estudaram os filhos do Sr. Tertuliano e outros de famílias adjacentes.
Em 1953 a escola mudou para as localidades de Olho D`agua da Bica e Olho D´agua de São Bento onde funcionava em períodos diurnos e noturnos. Ali freqüentaram as aulas os filhos das famílias Machado, Lourenço, Viana, Reis e outras.
A escola encerrou as atividades em 1955 quando após 54 anos de sacerdócio como mestre-escola meu pai cansado, exausto e vencido pelo peso dos anos, porém cioso de ter cumprido sua missão na Terra, deixou de lecionar e veio para São Paulo onde eu já estava. Em São Paulo terminou os seus dias no ano de 1962 após 76 anos vividos.
Minha mãe:
Francisca Maia Holanda, natural de Tabuleiro do Norte, CE, onde nasceu em 1912 na localidade chamada Tapuio, situada as margens da então lagoa do Tapuio, posteriormente Açude doTapuio. Era filha de José Alves Moreira Maia e de Francisca Ferreia Pinto.
Meu avô era nascido também no Tapuio.
Minha avó era nascida no Apodí, RN.
Meu avô materno era agricultor e carpinteiro/marceneiro.
Eram tios legítimos de minha mãe (irmãos de meu avô): Tibúrcio Moreira Maia (morava numa localidade chamada Bezerra), Leôncio Moreira Maia (morava numa localidade chamada Charneca), Deusdeth Moreira Maia, Juvêncio Moreira Maia, Amaro Moreira Maia, Abrão Moreira Maia, Amélia Moreira Maia, Júlia Moreira Maia e Celestina Moreira Maia. Com exceção de Tibúrcio e Leôncio todos moravam no Tapuio.
Essa família Maia do Tapuio não tem parentesco com os Maias do Sítio do Rocha, descendentes de Luzia Maia e oriundos da Paraíba.
Eram meus tios/tias maternos:
Acelina, Raimunda, Guiomar e Vicente. Meu tio Vicente era também carpinteiro/marceneiro.
Pessoas da região de Limoeiro e Tabuleiro que lembro terem sidos contemporâneos e fizeram parte do ciclo de amizades de meu pai:
Neco Pacheco, comerciante em Tabuleiro.
Avelino Pacheco, comerciante em Tabuleiro.
Dodó, comerciante em tabuleiro, tinha uma loja de esquina no quarteirão do mercado.
Leôncio Monteiro e seu filho Olímpio, comerciantes.
Os irmãos Elizeu e Clodoveu Peixoto, comerciantes no quarteirão do mercado. Eram parentes de meu pai.
Os irmãos Soares: José Soares, Alonso (Marinheiro) Soares, grandes comerciantes.
Vicente Soares, pai dos irmãos Soares. Não cheguei a conhece-lo.
Antônio Pio, morava na saída de Tabuleiro para o Saco do Barro.
Pio Gadelha, pai de Antônio Pio. Não cheguei a conhece-lo.
Os irmãos Batista, poetas: Dimas e Otacílio. Dimas era também comerciante no quarteirão do mercado. Se não estou enganado sua esposa chamava-se Judite e era da família Gadelha.
Ercílio Pinheiro, também grande poeta e cantador. Residia em sua propriedade nas margens da rodovia com destino a Mossoró.
João Moreira, comerciante.
Raimundo Medeiros, comerciante, oriundo da Paraíba, se não estou enganado.
Alfredo Gadelha, dono de farmácia, aliás, a única farmácia. Ficava na rua Maia Alarcon. Foi também várias vezes Delegado de polícia.
Sr. Rufino, tinha uma máquina de descaroçar algodão e enfardar lã.
Sr. Candido, era Oficial do Registro Civil e tinha um serviço de autofalantes. Sua esposa chamava-se Neném e tinha um filho chamado Jurandí.
Sr. Luis Chaves, tinha carro de praça.
Sr. Narbal, tinha carro de praça.
Sr. Gumercindo, filho do Sr. Acelino Rocha , tinha caminhão de transporte e depois foi funcionário federal.
Sr. Antônio Alves, comerciante, proprietário de terras, foi vereador várias vezes, era compadre de meu pai, morava na margem da rodovia próximo a lagoa do Saco do Barro.
Chico Moreira,(filho) Era filho do Sr. Chico Moreira (pai) tinha vários irmãos, ( João, Tomaz, Domingos, Luiz e outros que não me lembro. Era agricultor, fabricava carroça, foi vereador, era compadre de meu pai, sua esposa chamava-se Expedita, era genro do Sr. Manduca Franklin, faleceu em acidente de carro na estrada de Limoeiro para Russas.
Sr. Guerreiro, tinha caminhão de transporte e casa de comercio em Tabuleiro.
Sr. Vicente Laurindo, morava próximo a uma lagoa na estrada para o Rancho de Nossa Senhora.
Sr. Antônio Pinto, morador na Água Suja.
Sr. Francisco Hilário, fazendeiro, morador no Lagedo do Sousa, na chapada do Apodí. Era compadre de meu pai. Foram amigos por mais de 50 anos.
José Virgílio, tinha farmácia em São João do Jaguaribe. Era padrinho de minha mãe.
Na verdade todas as pessoas daquela época de modo geral conheciam meu pai, haja vista, que centenas de alunos passaram pelos bancos de sua escola que em determinadas épocas foi a única disponível fora da cidade inclusive nos arredores.
A escola era particular, funcionava em períodos diurnos para crianças e noturno para adultos. Em muitas ocasiões, quase sempre, era conveniada com a prefeitura de Limoeiro, Tabuleiro era ainda distrito. Esses convênios nem sempre eram pagos, porém nenhum aluno deixava de estudar por causa disso. Meu pai muitas vezes tirava dinheiro do bolso para fornecer material para seus alunos quando estes não tinham recurso, porém tinham talento e principalmente vontade de estudar.
A escola sempre teve uma classe para alfabetização de adultos, quando ainda não existia Mobral.
Centenas de pessoas tornaram-se eleitores graças ao meu pai que os preparava para tirar o Título de Eleitor. Naquela época não existia o voto do analfabeto e as pessoas tinham que solicitar ao Juiz, o título, através de uma petição redigida do próprio punho.
Meu pai fez parte de vários movimentos de emancipação política de Tabuleiro e uma de suas bandeiras era exatamente mostrar o contingente eleitoral como justificativa para essa emancipação. Embora fosse filiado a um partido político, tinha livre trânsito no partido adversário e preparava os eleitores para votar em qualquer partido, sem distinção. Na década de 50, Tabuleiro tinha dois vereadores (Antonio Alves e Chico Moreira) cada um de um partido diferente, ambos trabalhavam muito por Tabuleiro, meu pai era amigo e compadre dos dois e igualmente respeitado por ambos.
Infelizmente quando Tabuleiro conseguiu sua emancipação meu pai já não estava mais lá e não pôde participar de tão significativa conquista. Conquista esta que certamente veio coroar um ideal pelo qual ele muito lutou direta e indiretamente sem nenhum interesse pessoal.
Tenho certeza que meu pai nunca teve desafetos e inimigos em toda a sua vida.
Sinto muitas saudades de minha terra, tenho muita vontade de visita-la, porém devido ao longo período de ausência, mais de 50 anos, tenho a impressão que serei recebido como um estranho entre meus conterrâneos.
Para o momento são essas as informações que disponho na lembrança.
Prazer em conhecer esse ilustre conterrâneo e tê-lo como amigo, por enquanto virtual.
Meu endereço:
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Fone: 14 – 3264-5092
Lençóis Paulista-SP
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